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O campo além dos 60 anos

“Hoje esta se tornando cada vez mais comum, vermos pessoas idosas trabalhando no campo, pois cada vez mais o jovem esta abandonando a atividade no campo e indo trabalhar e morar na cidade. Pondo em risco o nosso modelo de produção agrícola”.
O êxodo rural hoje é muito menor que no passado. Há diversas regiões rurais que passam por surpreendente processo de crescimento populacional, com base, muitas vezes, em migração de retorno, ou seja, daqueles que perderam seu emprego nas metrópoles e voltam ao lugar de origem, no caso “o campo”. Mas é claro que existe ainda uma migração rural importantíssima. E ela atinge fundamentalmente os jovens e especialmente as meninas. Que muitas vezes deixam de trabalhar no campo, onde teriam uma boa renda, para se aventurarem nas grandes cidades. Sendo que muitos desses jovens acabam se dando bem na cidade e conquistam ótimos empregos, mas em compensações a outros, que por sua vez é a grande maioria dos jovens, poderiam ter melhores condições de vida, se continuassem a trabalhar no meio rural. Para os produtores rurais, Juventino A. Moresco (66) e sua esposa, Adir Cutti Moresco (58), residentes na Linha Doutor Felizardo Junior, em Anta Gorda, onde possuem uma propriedade de 30 hectares, aonde o carro chefe é o cultivo de milho e a criação de gado leiteiro. “As propriedades que irão se manter no futuro é as propriedades que possuírem maquinas e outros equipamentos, para facilitar o trabalho de campo”. Segundo Juventino, possuem quatro filhos, dos quais hoje uns são grandes empresários e outros assumiram a profissão pela qual dedicarão anos de estudo. Mas mesmo sem os filhos estarem na propriedade trabalhando, pretende continuar com a propriedade ativa. “Já dedicamos a agricultura mais de 50 anos e pretendemos continuar a trabalhar na agricultura, pois gostamos muito. Assim sendo, mesmo sem a ajuda dos filhos que seguiram outras carreiras, vamos continuar a trabalhar no campo, até porque graças à mecanização que possuímos, poderemos continuar, mesmo sem muita mão de obra, pois a mecanização no meio agrícola diminui muito a mão de obra do produtor e tornou o trabalho muito mais fácil” explicou. Juventino disse também, que nunca pretende desistir da roça, e que vai trabalhar até que conseguir, pois não gosta de outro serviço que não seja o trabalho no campo. “No futuro os produtores que irão se manter no campo é o produtor que tem sua propriedade mecanizada e estruturas montadas, mais principalmente, aqueles que gostam de trabalhar na atividade, pois caso contrário, não conseguirão permanecer no campo e possivelmente venderão suas terras e irão morar na cidade” finalizou. E para os produtores rurais, Ivalino Luis Moresco (64) e sua esposa Elena Cutti Moresco (61), residentes na Linha Doutor Felizardo Junior São Brás, em Anta Gorda, até que conseguirem trabalhar ficarão e manterão ativa a propriedade. Segundo o produtor rural Ivalino Luis Moresco, possuem dois filhos, que hoje moram na cidade de Frederico Westphalen, onde possuem uma grande churrascaria. “Mesmo sem a ajuda dos filhos aqui na propriedade, não pretendo vender e nem parar com a atividade, ou seja, até que Deus me der força, eu continuarei a trabalhar na roça” comentou Ivalino. Ivalino disse também, que hoje com a grande saída do jovem do meio rural, as propriedades que irão se manter ativa no futuro é as propriedades que tiverem maquinas para facilitar o trabalho, ou seja, maquinas que ajudem o produtor a fazer a roça, plantar e colher, pois caso contrário, os trabalhadores rurais com uma idade já avançada, não terão como fazer todo esse trabalho sem mão de obra e maquinas. “Sendo que hoje o fator “preço dos produtos produzidos” não é o principal vilão que contribui com a saída dos jovens do meio rural, mas o que tem dificultado a permanência do jovem no campo são os insumos que estão a um valor elevado, ou seja, a propriedade que produz pouco, não tem condições de se manter” explicou. “E o possível futuro da pequena propriedade rural, que não possui mão de obra e nem maquinário, é só uma, a “venda”, ou seja, o produtor por não ter mais como trabalhar, acaba vendendo e indo morar na cidade. E aquela terra onde tanto se produzia, acaba virando uma chácara ou uma tapera” finalizou.
Dados do IBGE sobre o êxodo rural

O censo demográfico 2010 do IBGE mostrou que o número de pessoas que moram em áreas rurais continua diminuindo no país, porém num ritmo menor do que na década anterior. De acordo com a pesquisa, a população rural no país perdeu 2 milhões de pessoas entre 2000 e 2010, o que representa metade dos 4 milhões que foram para as cidades na década anterior. No último censo, a média de habitantes que deixavam a zona rural era de 1,31% a cada ano, enquanto na atual amostra a média caiu para 0,65%. Para o técnico do IBGE Fernando Albuquerque, o movimento de pessoas que saem da zona rural para as cidades, que teve início na década de 1970, está perdendo a força “Nas décadas de 1970 e 1980, os grandes movimentos migratórios ocorriam em função da mecanização da agricultura e a consequente expulsão da mão de obra. Agora, esse movimento continua ocorrendo, porém em uma intensidade menor”, disse. Segundo o estudo, a região Sudeste foi a que mais perdeu população rural, caindo de 6,9 milhões para 5,7 milhões (-17,4%). As regiões Sul e Nordeste também tiveram perda de população do campo. O Nordeste sozinho concentra quase metade da população rural do país (14,3 milhões de um total de 29,8 milhões). Sendo que num todo o Brasil é cada vez mais um país urbano. O aumento de quase 23 milhões de pessoas que vivem nas cidades (num total de 160,9 milhões de pessoas) resultou em um grau maior de urbanização, que passou de 81,2% em 2000, para 84,4% em 2010. A região Sudeste continua sendo a mais urbanizada do país (92,9%). As regiões Centro-Oeste e Sul têm, respectivamente, 88,8% e 84,9% de população urbana. No Norte, a concentração de pessoas que vivem nas cidades é de 76,6% e, no Nordeste, o número chega a 73,1%.
Fonte; Jornal Notiserra.

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